Drones vão gerar multas para motoristas flagrados em infrações no trânsito?

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20/12/2017. Credito: Luis Nova/Esp.CB/D.A Press. Brasil. Brasilia - DF. Detran-DF usará drones para auxiliar na fiscalização de motoristas. Eron Oliveira, agente do Detran.

Agentes do Detran passam a usar drones nas vias da capital para flagrar, entre outras imprudências, motoristas que utilizam o celular enquanto dirigem

Treinamento para operar os aparelhos foi oferecido pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Equipamento será usado para apoiar o monitoramento do fluxo nas ruas

Dirigir usando o celular é considerado infração gravíssima. O artigo 252 do Código de Trânsito Brasileiro prevê multa de R$ 293,47 e sete pontos na Carteira Nacional de Habilitação para o condutor flagrado atendendo, falando ao celular ou respondendo a mensagens ao volante. Para coibir o mau hábito, agentes do Departamento de Trânsito do Distrito Federal (Detran) usarão drones nas vias da capital. Desde segunda-feira, equipes do órgão estão nas ruas com dois equipamentos doados pela Receita Federal para flagrar os infratores.

Além de fiscalizar a irregularidade, os agentes farão uso do aparelho para flagrar manobras arriscadas e veículos estacionados em locais proibidos. De acordo com o diretor-geral do Detran, Silvain Fonseca, ao menos por enquanto, as filmagens feitas pelo equipamento não vão gerar multas. “A intenção é tornar nossas ações mais eficazes”, explica. “Vamos usar as ferramentas como apoio na engenharia de trânsito, no monitoramento de fluxo de vias, em grandes eventos e nas campanhas educativas. Em um experimento em frente ao Buriti (Palácio), conseguimos melhorar a fluidez em 40% com o auxílio dos novos equipamentos”, acrescenta Silvain.
Com o auxílio dos aparelhos, o diretor-geral também espera diminuir o número de acidentes. Uma pesquisa da Associação Brasileira de Medicina do Tráfego (Abramet) revela que o costume de usar o celular ao volante é a terceira maior causa de acidentes de trânsito no país, com 54 mil vítimas por ano. Para piorar, o número de brasilienses flagrados com smartphones enquanto dirigem saltou de 50,5 mil, entre janeiro e novembro de 2016, para 64,8 mil, no mesmo período de 2017, um crescimento de 22%. “Esperamos mudar o comportamento dos motoristas. Este ano, diminuímos em 126 o número de mortes e queremos que chegue a zero”, diz.
Os horários de pico concentram o maior número de acidentes e a maioria dos flagrantes de uso do celular ao telefone. “O condutor acredita que não acontecerá com ele, mas enquanto está no celular, não consegue parar em uma faixa de pedestres, ou acaba derrubando um motociclista ou batendo na traseira de outro veículo. Às vezes, o condutor parece estar sob influência de álcool, mas quando o abordamos, descobrimos que ele estava usando o celular. Por isso, a multa passou a ser gravíssima. As pessoas estão dependentes do aparelho telefônico e não conseguem esperar 15 minutos para retornar uma ligação. Acredito que, por isso, o número de flagrantes cresceu tanto. A dica é desligar o aparelho ao entrar no carro, ou deixá-lo o mais longe  possível”, recomenda Silvain.

Presença nas ruas

As ações com drones serão coordenadas pelas equipes da Unidade de Operação Aérea (Uopa). Os agentes receberam treinamento e certificado da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) para operar os aparelhos. Especialista em trânsito e professor da Universidade de Brasília (UnB), Paulo César Marques elogia a medida, mas destaca que a presença física do agente “é muito importante”. “Não só para fiscalizar, mas para observar e fazer intervenções”, destaca.
Para o estudioso, o uso dos drones também supre a carência de agentes de trânsito no DF. “Se comparado com a população e a frota, temos um número reduzido de agentes. Isso deixa a presença deles na rua mais restrita. O agente na rua é um fator inibidor ao cometimento de infrações. Mas ter a capacidade de ver além, com mais agilidade, remotamente, traz eficiência e pesa a favor dos fiscais. Eles acabam conseguindo ver a irregularidade ou a necessidade de intervenção antes de estarem fisicamente em uma região. Uma pequena parcela da população reclama. Acha que qualquer fiscalização é um abuso de autoridade. Mas a maioria se sente mais segura”, afirma o professor.

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